Transtorno Bipolar tem cura?




Transtorno bipolar tem cura? Infelizmente não! E não tem porque é uma doença crônica (doença crônica em medicina quer dizer que é para vida inteira). Isso é o mesmo que dizer que transtorno bipolar não tem cura, assim, como outras doenças crônicas, como exemplo, diabetes, algumas doenças reumáticas e por aí vai... Embora transtorno bipolar do humor não tenha cura é uma doença que tem "controle", e, talvez dentre as doenças crônicas mentais é a que apresente o maior número de "ferramentas" para que isso aconteça com êxito.


Há cerca de 20 anos nós não tínhamos muitas escolhas (quer dizer os médicos e profissionais de saúde mental, não tinham tantas opções para tratamento...), hoje o quadro é diferente. E será ainda mais nos próximos anos. Se eu indago: - "transtorno bipolar tem cura"? E a resposta é radicalmente um "não", talvez, eu repensarei isso brevemente. Isso porque definitivamente eu sou muito "otimista"! Claramente eu acredito que se a indústria farmacêutica não dificultar nenhuma pesquisa na área de terapias genéticas e estudos em nanotecnologia (por exemplo), eu não tenho menor dúvida que nós chegaremos a cura!




Fato é que estamos avançando, e, se não temos a cura para o transtorno bipolar do humor para anunciar ainda, ao menos, eu estou certo que estamos vivenciando um momento que bipolares de décadas passadas não viveram. As medicações que estão presentes nos dias atuais são extremamente interessantes para o tratamento, os antidepressivos, por exemplo, são modernos ao ponto (se bem utilizados) não induzirem "viradas maníacas" tão facilmente como antes. Estabilizadores de humor, eficazes, já estão no mercado (e estão para chegar alguns mais eficazes ainda). Tudo aponta que nós bipolares temos a disposição "possibilidades" e "esperança" de irmos em frente! E se temos, que façamos uso disso, que possamos descobrir o que "funciona" conosco e vamos em frente!




Transtorno bipolar tem cura? Alguns dizem que sim...




Transtorno bipolar tem cura? Bem, não tem cura mesmo, entretanto nessas andanças na internet não tem como não se deparar com "promessas" de cura. E não tem como não ignorar outros pontos de vista. Eu definitivamente não preciso "concordar" com quem diz que transtorno bipolar tem cura certo? E também ninguém precisa concordar comigo quando eu digo que transtorno bipolar não tem cura, certo? Mas, óbvio que eu não posso ficar omisso a isso...Quando eu digo isso, eu me refiro claramente às pessoas que "apregoam" a cura do transtorno bipolar do humor na internet. Isso é "ilusão", ou, na melhor das hipóteses: "vender sonhos". E acho portanto isso uma grande irresponsabilidade, por motivos muito bem claros: pessoas com transtorno bipolar do humor precisam de tratamento IMEDIATO e ponto. Há riscos de MORTE envolvidos em SURTOS PSICÓTICOS (que por sinal são apregoados por grupos que pregam a "suposta cura"), e, isso é SÉRIO!




Transtorno bipolar não tem cura e isso é sério!




Conto a vocês um caso particular em que em um surto psicótico (eu acho que já contei em outro artigo, inclusive), eu fui confundido como um "sujeito" com uma "possessão demoníaca" (veja bem amigos, todo o respeito as religiões neste momento, ok?)... Eis, que ao contatar minha médica naquela situação (minha sogra, na ocasião fez o contato), foi receitada determinada medicação etc... em 2 horas, a situação estava NORMALIZADA. Não se trata de sonhos, ilusões e contos de fadas... Isso aconteceu comigo em 2008 (comigo, Willian autor do Bipolar Brasil, ok?).



Medicamentos não podem ser "menosprezados", e, principalmente, não se deve "encorajar" pacientes a "vivenciar" crises a afim de quê isso possa lhe trazer a tal "CURA", pasmem! Transtorno bipolar tem cura? Não! Eu repito quantas vezes forem necessárias e desafio qualquer modelo teórico a me provar que tem... Absolutamente, não tem! Infelizmente não tem. E como eu disse no começo desse artigo: Eu sou otimista, e acredito que nós (seres humanos) teremos capacidade de encontrar a "resposta" e portanto a cura para a doença. Alias, para muitas outras doenças. O campo de pesquisas nesta área é promissor, e, eu tenho acompanhado de perto muitos estudos bons. Estamos numa fase excepcional, eu diria.



Enfim, transtorno bipolar não tem cura, mas temos hoje excelentes alternativas de tratamentos. No futuro próximo teremos mais alternativas (senão a cura efetivamente), e, nós bipolares podemos e devemos nos "entregar" ao tratamento sem medo e com confiança de que podemos colher bons resultados. Devemos estar atentos a "promessas" de curas "milagrosas", isso não existe (embora você não precisa concordar comigo, ok?). E por fim: estude muito a doença, é talvez a forma "curativa" (se é que podemos dizer assim) que podemos utilizar para aceitar nossa condição e vencer dia após dia o transtorno bipolar do humor.
Leia mais e na fonte: http://www.bipolarbrasil.net/2011/01/como-ajudar-um-bipolar-em-crise.html#ixzz2J8A0FHuQ
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Como ajudar um bipolar em crise?



Como ajudar um bipolar em crise? Está aí uma pergunta que eu adoraria que algum amigo ou parente fizesse para mim, algum dia. Na minha experiência, diagnosticada há mais de cinco anos, a reação dos amigos, principalmente, tem variado entre o afastamento ou tentativas desastradas de apoio (desastradas, mas devo confessar, bem intencionadas).

Quanto ao afastamento, nem é preciso falar muita coisa. Acredito que muitos já passaram por isso. Fiquei surpresa algumas vezes por ver afastarem-se de mim pessoas que eu julgava muito amigas e, mais do que isso, fortes o suficiente para me ajudar na pior das circunstâncias.


Mas a doença mental é carregada não só do estigma: as pessoas fogem do doente mental porque não querem ver em si mesmas a possibilidade da loucura.

Mas esse artigo tem como foco não os amigos que se afastam, mas sim aqueles que ficam.




O amigo auto-ajuda...



Há os amigos com discurso auto-ajuda. Você conhece. “A felicidade é uma escolha, basta você querer”. “Sai dessa, sorria”. “Você tem que lutar contra isso”. “Acredite mais em você”, e por aí vai. Normalmente, é esse tipo de amigo que manda por e-mail apresentações em Power Point que ele acha “muito lindas”, com imagens de flores, animais e bebês, com músicas e textos atribuídos a Paulo Coelho, Veríssimo, Saramago e outros, mas que na verdade ninguém sabe de quem é. O pior é que os arquivos são pesadíssimos e entulham a sua caixa postal. Você fica sem graça de não responder, então dá uma olhadinha. E o computador trava.


Geralmente, esse “amigo auto-ajuda por e-mail” nunca aparece na sua casa. Também não liga. O e-mail o mantém distante de você, mas ele sente que está fazendo a sua parte.


Mas há, sim, o amigo que liga. E fala, fala muito. Particularmente, eu não gosto de telefone e me perco no meio da conversa. Principalmente se o discurso for uma versão falada do “amigo auto-ajuda por e-mail”.


Há os religiosos. Eles lhe trazem Bíblias, terços, malas budistas, talismãs cabalísticos, trouxinhas estranhas vindas de algum terreiro de umbanda, medalhas milagrosas. E eles rezam ao seu lado, como se pudessem exorcizar o transtorno bipolar de dentro de você. A intenção é boa e, se não passar de um certo limite, ok. Há até mesmos estudos científicos comprovando que a fé auxilia em diversos tratamentos. O problema começa quando o outro invade o seu espaço espiritual ou, pior, quando tenta convencê-lo de que a doença não é doença: é “o Mal”. Nunca aconteceu comigo, graças a Deus (sem trocadilhos), mas já cansei de ouvir relatos de bipolares arrastados para igrejas evangélicas ou terreiros de umbanda, com a finalidade única de expulsar seja lá o que for. Para quem está em crise, não há nada pior. O discernimento é mínimo e o estresse causado pode piorar o quadro.


Então, se o amigo é religioso, ele que reze, tão somente. E que Deus o abençoe por isso.


Amigo vamos pra rua...



E há o amigo “vamos pra rua”. Ele arrasta você para o cinema, para uma festa cheia de gente e o coloca no meio de algum vendaval. Se você estiver em uma mania desenfreada, é sopa no mel, mas se for depressão, há duas consequências possíveis: você melhorar um pouquinho (e aí o amigo ajudou mesmo) ou, se ele exagerar na dose, você pode começar a se sentir mal.
Vou dar um exemplo: eu estava em uma profunda depressão quando uma amiga preparou uma grande festa, com dança, música e muita, mas muita gente. Eu não tinha como deixar de ir. Estava péssima. Não sei quanto a você, mas depois de anos como bipolar, a gente consegue fingir um pouco, mas naquela noite eu não conseguia fingir nada. Fiz a pior coisa que eu podia fazer: bebi. Um desastre total.
Assim, o “amigo vamos-para-a-rua” é legal, mas tem que respeitar seus limites.
Como nenhum amigo perguntou, eu vou responder a todos: a melhor coisa a se fazer quando um bipolar estiver em crise é “esteja presente”. Principalmente no caso daqueles que moram sozinhos (e, às vezes, nos casos em que a família não é compreensiva).
Estar presente não é, necessariamente, ficar conversando porque pode acontecer de a pessoa em crise não querer falar nada. Mas ter alguém na casa que você sabe que está lá para o que der e vier e que, ainda por cima, está ali só por você, é a melhor ajuda que alguém bipolar ou deprimido pode ter.
Pode ser que mais tarde vocês conversem um pouco. Ou assistam a um filme. Ou comam alguma coisa. Até saiam um pouco de casa. A pessoa vai lembrar você, como quem não quer nada, de que seria muito bom tomar um banho, mas vai ficar na dela. Talvez você tome um banho. Talvez você saia da cama. Talvez você se sinta um pouquinho melhor.

Um amigo assim, compassivo e generoso, é o melhor remédio em momentos complicados.

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